realidade
Como se alguém estivesse realmente interessado em me ouvir falar, apenas pelo prazer de ouvir uma boa história. Sem envolvimentos, sem maiores contorções faciais, sem dor nem necessidades de saber para agir. Como se alguém estivesse realmente interessando em me ouvir falar, apenas para sair do egoísmo. Como se alguém quisesse apenas o som da minha voz.
- Como se sente? – uma voz de pés descalços e calça fresca largada nas canelas. Voz de chá de camomila gelado.
Por alguma razão sóbria penso em responder um tudo bem baixo e amigável. Daqueles verdadeiros: a voz baixa deixa clara a verdade que diz que sim, tudo bem em não me contar, eu posso, usando as palavras por mera convenção para manter a formalidade.
Mas a sobriedade engasgou. Umas lágrimas se juntaram ao suor do rosto. Aquela sensação desconfortável de umidade e de fiozinhos de cabelo colando na testa e piorando o aspecto grosseiro do rosto brilhoso. Aquela irritação com a dobra molhada da perna e aquela ardência causada nos poros da canela causada pelo suor salgado. O sol que queima a ponta de um nariz que odeia ficar vermelho. A sobriedade engasgou com o calor. Engasgou e cuspiu toda uma garrafa cheia, cheia de tonturas e desmaios.
- Como me sinto... Sinto como opressão. Como se todos os lados fossem formalmente proibidos. Como se estivesse atrasada para continuar a vida e todas as rodovias de acesso ao mundo certo estivessem cortadas. Ou como se todos os caminhos fossem estreitos demais, e eu tivesse que me espremer entre eles. Arranhando braços, rasgando a saia. Como se em dado momento fizesse um movimento brusco nesse aperto todo, só para conseguir respirar um nada que seja, e um graveto vindo de lugar nenhum arranhasse minha maçã do rosto, cortando toda minha feminilidade. Como se minha mente fosse fraca demais para me guiar para a saída, mesmo sabendo que isso já foi feito antes por gente pior que eu. E por gente melhor. É isso, me sinto no meio. Nem melhor, nem pior. Ordinária, meio largada por ai sem brilhantismos, sem a coisa certa a dizer a quem quer que seja, por alguém certo está sempre o ocupado procurando a saída. Quem sabe encontre, quem sabe se encontre apenas não tão certo quanto eu imaginava, e seja medíocre rodando por esse labirinto claustrofóbico. Assim, me sinto ao meio. Meio querendo sair, meio tentando encontrar os meus iguais perdidos na estrada bloqueada. É uma opressão de não saber nem querer fazer nada do que se tem a fazer, a não ser talvez algo que eu ainda não saiba.
Pausa para trocar o pé em que se senta encima.
- Vai ver, sendo assim tão naturalmente lugar-comum, nunca saberei. Mas acontece.
- Como se sente? – uma voz de pés descalços e calça fresca largada nas canelas. Voz de chá de camomila gelado.
Por alguma razão sóbria penso em responder um tudo bem baixo e amigável. Daqueles verdadeiros: a voz baixa deixa clara a verdade que diz que sim, tudo bem em não me contar, eu posso, usando as palavras por mera convenção para manter a formalidade.
Mas a sobriedade engasgou. Umas lágrimas se juntaram ao suor do rosto. Aquela sensação desconfortável de umidade e de fiozinhos de cabelo colando na testa e piorando o aspecto grosseiro do rosto brilhoso. Aquela irritação com a dobra molhada da perna e aquela ardência causada nos poros da canela causada pelo suor salgado. O sol que queima a ponta de um nariz que odeia ficar vermelho. A sobriedade engasgou com o calor. Engasgou e cuspiu toda uma garrafa cheia, cheia de tonturas e desmaios.
- Como me sinto... Sinto como opressão. Como se todos os lados fossem formalmente proibidos. Como se estivesse atrasada para continuar a vida e todas as rodovias de acesso ao mundo certo estivessem cortadas. Ou como se todos os caminhos fossem estreitos demais, e eu tivesse que me espremer entre eles. Arranhando braços, rasgando a saia. Como se em dado momento fizesse um movimento brusco nesse aperto todo, só para conseguir respirar um nada que seja, e um graveto vindo de lugar nenhum arranhasse minha maçã do rosto, cortando toda minha feminilidade. Como se minha mente fosse fraca demais para me guiar para a saída, mesmo sabendo que isso já foi feito antes por gente pior que eu. E por gente melhor. É isso, me sinto no meio. Nem melhor, nem pior. Ordinária, meio largada por ai sem brilhantismos, sem a coisa certa a dizer a quem quer que seja, por alguém certo está sempre o ocupado procurando a saída. Quem sabe encontre, quem sabe se encontre apenas não tão certo quanto eu imaginava, e seja medíocre rodando por esse labirinto claustrofóbico. Assim, me sinto ao meio. Meio querendo sair, meio tentando encontrar os meus iguais perdidos na estrada bloqueada. É uma opressão de não saber nem querer fazer nada do que se tem a fazer, a não ser talvez algo que eu ainda não saiba.
Pausa para trocar o pé em que se senta encima.
- Vai ver, sendo assim tão naturalmente lugar-comum, nunca saberei. Mas acontece.

2 comments:
keep it simple, Alice. Just try to keep it simple.
vc eh SIM brilhante minha linda
talvez mais até do que deveria
eu aceito um tudo bem baixo
devolvo nun abraço
envolvo com um sorriso
vai sempre estar tudo bem
eu prometo pra vc
te amo
(MTO)
bjinhos
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