daquilo que eu disse
Vejo gente andando na rua, mas tem gente que eu mais ouço que vejo. Aquele monte de chaveiros e cintos e cordões e fios de fones, tudo pendurado, chocando, chocalhando. É todo um aparato montado para a tal outro-afirmação da individualidade. Como se tudo que se precisa estivesse pendurado em algum porta-treco do corpo, avolumado em algum bolso no meio da perna, do lado do cigarro e do isqueiro. Auto-suficiência nunca pede isqueiro emprestado, ele ta sempre chiando junto à chave de casa. O barulho, em si, é só pra chamar atenção dos outros à profundidade a que o andarilho pode chegar de si mesmo, a despeito de todos os penduros que se metem a enroscar, não enrosca, não. Tem gente que eu vejo andando na rua e está sempre andando pra si, mesmo em si por respeito à gente, mesmo a despeito do barulho.
Nós fingimos que sabemos o que vemos dessas pessoas em que a rua vai passando por cima e por baixo e direita e esquerda e que nem vê a gente. Pessoas que decidiram desistir de passar e ficaram esperando o movimento contrário. Gente de pontas lascadas que já nem tropeçam porque assumem logo as pontas pra arrastar. Aqueles que não medem os barulhos que cometem e se desvalem dos disparates que falam à própria sujeira. Falam pra si tanto quanto falariam pra um outro qualquer, mas falam sem engasgar, com aquela paixão doentia pelo tanto faz. Tem gente que já se entendeu e achou melhor voltar. Dessas pessoas que já não remetem a silêncio para significado nenhum, falou e calou com a mesma paz de piscar. Os dois olhos.
Eu ando na rua.
E eu tento acreditar. Eu quero ser, eu corro atrás, me foco me olho me busco. Cansei. Sou fútil. Fútil não, leviana. Meus chocalhos são todos de pano e me faço ver pelos engasgos que dou nessas pontas. É uma implosão muda o som que engulo, de novo, sem tossir. Me corrijo e volto. Tento caminhar como quem desvaleu, mas ainda tenho composição, por mais involuntária que seja, é. Certeza que é porque tem gente que viu. Viu ou eu mostrei sem querer, separei meus panos pra mostrar uma cicatriz qualquer. Foi impulso lúdico, um susto e. Emudeceu.
E tem o poste, que faz barulho mesmo, e acabou pra mim. Só pra mim. Porque não pára, nem para, na verdade. Mas eu gosto de me incluir nos limites racionados.
É barulho indiferente. Fica parado, não segue. Tanto, que parece quase erro, mas não é chiado, é zumbido. É quase zombaria. Ouve-se se quiser. Quando se pisca pra fora e o ambiente que se respira passa a ser mundo que se respira. Houve-se se quiser. Se não for ocupação demais encontrar o chaveiro certo onde se pendurou a chave, o maço onde se guardou o isqueiro, a frase feita a se gritar a faixa de pedestres.
Ouve-se caso a luz não ensurdeça antes. Holofote aquele que permeia correres em falso e corredores sem porta. Que joga a luz na tua cara quando alguém puxa a ponta mestra fazendo cair tudo. Lustra tua pele num amarelo queimado, bem dentre o momento de nudez crua, analítica, sendo tudo bem observado, uns olhos focados nas partes que você mais odeia do seu corpo: todo nu, vulgarmente despido, inteiramente descoberto, perfeitamente exposto, clinicamente pelado e infinitamente leviano.
E que faz barulho, faz. Sem metáforas. Mas que emundeça antes, ao menos.
Nós fingimos que sabemos o que vemos dessas pessoas em que a rua vai passando por cima e por baixo e direita e esquerda e que nem vê a gente. Pessoas que decidiram desistir de passar e ficaram esperando o movimento contrário. Gente de pontas lascadas que já nem tropeçam porque assumem logo as pontas pra arrastar. Aqueles que não medem os barulhos que cometem e se desvalem dos disparates que falam à própria sujeira. Falam pra si tanto quanto falariam pra um outro qualquer, mas falam sem engasgar, com aquela paixão doentia pelo tanto faz. Tem gente que já se entendeu e achou melhor voltar. Dessas pessoas que já não remetem a silêncio para significado nenhum, falou e calou com a mesma paz de piscar. Os dois olhos.
Eu ando na rua.
E eu tento acreditar. Eu quero ser, eu corro atrás, me foco me olho me busco. Cansei. Sou fútil. Fútil não, leviana. Meus chocalhos são todos de pano e me faço ver pelos engasgos que dou nessas pontas. É uma implosão muda o som que engulo, de novo, sem tossir. Me corrijo e volto. Tento caminhar como quem desvaleu, mas ainda tenho composição, por mais involuntária que seja, é. Certeza que é porque tem gente que viu. Viu ou eu mostrei sem querer, separei meus panos pra mostrar uma cicatriz qualquer. Foi impulso lúdico, um susto e. Emudeceu.
E tem o poste, que faz barulho mesmo, e acabou pra mim. Só pra mim. Porque não pára, nem para, na verdade. Mas eu gosto de me incluir nos limites racionados.
É barulho indiferente. Fica parado, não segue. Tanto, que parece quase erro, mas não é chiado, é zumbido. É quase zombaria. Ouve-se se quiser. Quando se pisca pra fora e o ambiente que se respira passa a ser mundo que se respira. Houve-se se quiser. Se não for ocupação demais encontrar o chaveiro certo onde se pendurou a chave, o maço onde se guardou o isqueiro, a frase feita a se gritar a faixa de pedestres.
Ouve-se caso a luz não ensurdeça antes. Holofote aquele que permeia correres em falso e corredores sem porta. Que joga a luz na tua cara quando alguém puxa a ponta mestra fazendo cair tudo. Lustra tua pele num amarelo queimado, bem dentre o momento de nudez crua, analítica, sendo tudo bem observado, uns olhos focados nas partes que você mais odeia do seu corpo: todo nu, vulgarmente despido, inteiramente descoberto, perfeitamente exposto, clinicamente pelado e infinitamente leviano.
E que faz barulho, faz. Sem metáforas. Mas que emundeça antes, ao menos.

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