personificação
Assim como essa tínhamos tardes. E só digo assim como essa porque tinha essa cor e o tempo marcava esse relógio nessa pose seguro, andando controlado.
Era cedo e era calmo, temperatura certa daquela que faz esquecer. Daquelas que crer não ter nada sobre a pele e, de verdade, nem a pele a gente sente ter. Nada e eu e aquelas blusas folgadas no corpo, desapegadas e não querer nada com nada, mesmo.
Quanto por ralar esperando nas pernas branquíssimas estendidas na poltrona da frente. Era um falar ruidoso e uma risada vazia, que na época eu nem sabia ser pura limpeza. Tudo bem seco, nenhum molhado no rosto, nem nas mãos. Pupilas limpas.
Pegava sua mão, tão clara também... não posso me esquecer como nos éramos tão branquinhas. E a sua mão, também era apenas fina. Inábil, você dizia, fria, dizia eu. E era de novo o riso pálido o que me devolvia, jogando os dedos displicentes pra qualquer lado, desaperturbados.
Não, o que não posso me esquecer é do riso. Posto que também era tão branco, mas é o som que me intriga. Um riso apressado que espalhou seus soluços há um tanto tempo atrás. Fui buscá-lo ontem. Cheguei a tempo de pegar o engasgo final, na mesma poltrona. Invadiu meu mingo e me deu todas aquelas imagens de um passado artesanal feito por tuas mãos. E elas nem se sujaram.
Mentira, minto outra vez. Vai ver é ignorância mesmo, vai ver ainda a insensatez. É tanto fingir que até rimei. Vou fazer de conta que foi sem querer. Primeiro porque foi mesmo. Mas também porque me deu inquietação de achar que me engano e acredito, agora.
Verdade desde que era simples, e nem era lá tanto. Era você e eu. E podia ser você e eu também, depende, dava pra ser. E não tínhamos termos específicos, nem a madrugada, nem vinho nem calmantes e os outros todos, nem o sexo, que suja tudo. Nem andar andava, que andavam pra mim. Sabíamos tudo e carregávamos no arrastar do sapatinho de boneca gigante. E nem era lá tanto.
Mas eu sonhava. Eu criando demais e ainda penso. Agora penso no que fazer depois de ter feito, mas o erro foi antes. Antes do riso calmo eu angustiava a curiosidade, eu queria e imaginava no caminhar os arranhões que ia me causar. Eu queria varias coisas e agora tem tudo. Depois da madrugada e o cansaço todo. As tardes ocupadas com o sobreviver ao dia anterior. Quem sabe o depois. Queria sua paz, mas queria mais. Eu consegui mais e eu te quero de volta, agora. Entendi.
Mas nem tem você mais, tem?
Era cedo e era calmo, temperatura certa daquela que faz esquecer. Daquelas que crer não ter nada sobre a pele e, de verdade, nem a pele a gente sente ter. Nada e eu e aquelas blusas folgadas no corpo, desapegadas e não querer nada com nada, mesmo.
Quanto por ralar esperando nas pernas branquíssimas estendidas na poltrona da frente. Era um falar ruidoso e uma risada vazia, que na época eu nem sabia ser pura limpeza. Tudo bem seco, nenhum molhado no rosto, nem nas mãos. Pupilas limpas.
Pegava sua mão, tão clara também... não posso me esquecer como nos éramos tão branquinhas. E a sua mão, também era apenas fina. Inábil, você dizia, fria, dizia eu. E era de novo o riso pálido o que me devolvia, jogando os dedos displicentes pra qualquer lado, desaperturbados.
Não, o que não posso me esquecer é do riso. Posto que também era tão branco, mas é o som que me intriga. Um riso apressado que espalhou seus soluços há um tanto tempo atrás. Fui buscá-lo ontem. Cheguei a tempo de pegar o engasgo final, na mesma poltrona. Invadiu meu mingo e me deu todas aquelas imagens de um passado artesanal feito por tuas mãos. E elas nem se sujaram.
Mentira, minto outra vez. Vai ver é ignorância mesmo, vai ver ainda a insensatez. É tanto fingir que até rimei. Vou fazer de conta que foi sem querer. Primeiro porque foi mesmo. Mas também porque me deu inquietação de achar que me engano e acredito, agora.
Verdade desde que era simples, e nem era lá tanto. Era você e eu. E podia ser você e eu também, depende, dava pra ser. E não tínhamos termos específicos, nem a madrugada, nem vinho nem calmantes e os outros todos, nem o sexo, que suja tudo. Nem andar andava, que andavam pra mim. Sabíamos tudo e carregávamos no arrastar do sapatinho de boneca gigante. E nem era lá tanto.
Mas eu sonhava. Eu criando demais e ainda penso. Agora penso no que fazer depois de ter feito, mas o erro foi antes. Antes do riso calmo eu angustiava a curiosidade, eu queria e imaginava no caminhar os arranhões que ia me causar. Eu queria varias coisas e agora tem tudo. Depois da madrugada e o cansaço todo. As tardes ocupadas com o sobreviver ao dia anterior. Quem sabe o depois. Queria sua paz, mas queria mais. Eu consegui mais e eu te quero de volta, agora. Entendi.
Mas nem tem você mais, tem?

1 comment:
hum...texto interessante
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