observando vida
Você começa a se distanciar.
Olha para o espelho. Sou bonito. Não, não sou. Não é. É comum. Tem traços limpos e claros, da idade. Cabelos jovens, tudo mérito do tempo, nada seu. Começa a imaginar aquela figura saindo de casa pela manhã, uns óculos enormes postado na cara, uma xícara de café que impregna segurança naquele corpo incerto. Os cabelos, ainda jovens nessa manhã, frescos do banho apressado, dando uma sensação de possibilidades leves que será levada pelos primeiros carros a ensurdecerem o silêncio da rua. Mas ainda é uma manhã, e ao passo de que não se trancou para fora do portão, nada pode ser muito assustador.
Nada pode ser porque você está só olhando. De alguma abertura no espaço, numa metafísica superior, assiste sem se mover o trocar de pernas duro, tentando marcar o ritmo da música que pensa escutar para o próprio proveito. Ele, você vê. É tudo mídia. Você sabe, ele sabe, mas ainda assim anda marcando os próprios passos por ela, por questão de afirmar liberdade.
Olha para o relógio. Está adiantado, muito. Pensa, graças a qualquer coisa eu aqui, sentado, vendo. Esperar acontecer o tempo é uma agonia desnecessária.
E aí você se lembra do por que. Se lembra e continua a se afastar.
O tempo presente já não precisa ser seguido. A consciência é tomada, ou a aceitação, de forma educada, de que o tempo é um egoísmo que não se importa em ser diagnosticado. Não se importa se jovens ou adocicados, se é a manhã em que se fecha o portão ou a madrugada em que se abandona a porta aberta por puro tesão. Importa, exporta. O que quer que seja, é deixado. Vamos considerar num âmbito de vida inteira. Quem sabe melhor que quantas vezes se vira a chave na fechadura, seria melhor se assistir só as considerações finais. Quantos dias houve prazer nos dedos de quem abria a porta, ou quantos gozos vieram dos dias em que porta nenhuma foi vista até já tarde da noite. Ou quem sabe apenas, o que deu de errado.
Você imagina aquela criatura mediana, que agora deu o último gole no café, como uma foto num álbum de família que nem é a sua. Fica especulando o que foi feito de errado por aqueles olhos, aquela boca e aquele nariz, para que as coisas tenham sujado todas. Era uma bela boca. Vermelha, bem feita. Tudo mérito da vida, nada seu. Mas o que foi que você, ou talvez ela, que no começo era ele, quem sabe a boca, fez de tão indecente?
É uma forma simples de pensar. O erro, a conseqüência, fim. Uma figura que foi infeliz na vida. Nenhuma palavra a mais. Coitado, coitada.
Você pensa, terminou. Pode fechar o álbum e procurar algo de melhor para fazer. A história dos grandes passos duros e infelizes rua abaixo, acaba. Você está distante, sem incoerências emocionais, nada de envolvimentos. É sou uma personagem.
Você não quer fazer nada. Mas a merda é que a gente quer, sim. A merda toda mora no fato de que queremos ser felizes, encontrar a felicidade, encostar-se à boca do que quer que seja, e ser. A merda inteira é que a gente não pode evitar querer essas coisas, por mais que seja coerente.
Olha para o espelho. Sou bonito. Não, não sou. Não é. É comum. Tem traços limpos e claros, da idade. Cabelos jovens, tudo mérito do tempo, nada seu. Começa a imaginar aquela figura saindo de casa pela manhã, uns óculos enormes postado na cara, uma xícara de café que impregna segurança naquele corpo incerto. Os cabelos, ainda jovens nessa manhã, frescos do banho apressado, dando uma sensação de possibilidades leves que será levada pelos primeiros carros a ensurdecerem o silêncio da rua. Mas ainda é uma manhã, e ao passo de que não se trancou para fora do portão, nada pode ser muito assustador.
Nada pode ser porque você está só olhando. De alguma abertura no espaço, numa metafísica superior, assiste sem se mover o trocar de pernas duro, tentando marcar o ritmo da música que pensa escutar para o próprio proveito. Ele, você vê. É tudo mídia. Você sabe, ele sabe, mas ainda assim anda marcando os próprios passos por ela, por questão de afirmar liberdade.
Olha para o relógio. Está adiantado, muito. Pensa, graças a qualquer coisa eu aqui, sentado, vendo. Esperar acontecer o tempo é uma agonia desnecessária.
E aí você se lembra do por que. Se lembra e continua a se afastar.
O tempo presente já não precisa ser seguido. A consciência é tomada, ou a aceitação, de forma educada, de que o tempo é um egoísmo que não se importa em ser diagnosticado. Não se importa se jovens ou adocicados, se é a manhã em que se fecha o portão ou a madrugada em que se abandona a porta aberta por puro tesão. Importa, exporta. O que quer que seja, é deixado. Vamos considerar num âmbito de vida inteira. Quem sabe melhor que quantas vezes se vira a chave na fechadura, seria melhor se assistir só as considerações finais. Quantos dias houve prazer nos dedos de quem abria a porta, ou quantos gozos vieram dos dias em que porta nenhuma foi vista até já tarde da noite. Ou quem sabe apenas, o que deu de errado.
Você imagina aquela criatura mediana, que agora deu o último gole no café, como uma foto num álbum de família que nem é a sua. Fica especulando o que foi feito de errado por aqueles olhos, aquela boca e aquele nariz, para que as coisas tenham sujado todas. Era uma bela boca. Vermelha, bem feita. Tudo mérito da vida, nada seu. Mas o que foi que você, ou talvez ela, que no começo era ele, quem sabe a boca, fez de tão indecente?
É uma forma simples de pensar. O erro, a conseqüência, fim. Uma figura que foi infeliz na vida. Nenhuma palavra a mais. Coitado, coitada.
Você pensa, terminou. Pode fechar o álbum e procurar algo de melhor para fazer. A história dos grandes passos duros e infelizes rua abaixo, acaba. Você está distante, sem incoerências emocionais, nada de envolvimentos. É sou uma personagem.
Você não quer fazer nada. Mas a merda é que a gente quer, sim. A merda toda mora no fato de que queremos ser felizes, encontrar a felicidade, encostar-se à boca do que quer que seja, e ser. A merda inteira é que a gente não pode evitar querer essas coisas, por mais que seja coerente.

1 comment:
deletar, amor.
não faz isso não, pequena...
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