Saturday, April 28

100

me inventa uma palavra pra pensar
que as que eu tenho são todas ruins.
eu bem quis, sem assim.
cem, sem texto.

Thursday, April 26

eu não passado

october, 16
http://desmudo.blogspot.com/2006/10/obrigada-pro-me-dar-inspirao.html
october, 21
http://desmudo.blogspot.com/2006/10/poluio.html

daquilo que eu disse

Vejo gente andando na rua, mas tem gente que eu mais ouço que vejo. Aquele monte de chaveiros e cintos e cordões e fios de fones, tudo pendurado, chocando, chocalhando. É todo um aparato montado para a tal outro-afirmação da individualidade. Como se tudo que se precisa estivesse pendurado em algum porta-treco do corpo, avolumado em algum bolso no meio da perna, do lado do cigarro e do isqueiro. Auto-suficiência nunca pede isqueiro emprestado, ele ta sempre chiando junto à chave de casa. O barulho, em si, é só pra chamar atenção dos outros à profundidade a que o andarilho pode chegar de si mesmo, a despeito de todos os penduros que se metem a enroscar, não enrosca, não. Tem gente que eu vejo andando na rua e está sempre andando pra si, mesmo em si por respeito à gente, mesmo a despeito do barulho.


Nós fingimos que sabemos o que vemos dessas pessoas em que a rua vai passando por cima e por baixo e direita e esquerda e que nem vê a gente. Pessoas que decidiram desistir de passar e ficaram esperando o movimento contrário. Gente de pontas lascadas que já nem tropeçam porque assumem logo as pontas pra arrastar. Aqueles que não medem os barulhos que cometem e se desvalem dos disparates que falam à própria sujeira. Falam pra si tanto quanto falariam pra um outro qualquer, mas falam sem engasgar, com aquela paixão doentia pelo tanto faz. Tem gente que já se entendeu e achou melhor voltar. Dessas pessoas que já não remetem a silêncio para significado nenhum, falou e calou com a mesma paz de piscar. Os dois olhos.


Eu ando na rua.
E eu tento acreditar. Eu quero ser, eu corro atrás, me foco me olho me busco. Cansei. Sou fútil. Fútil não, leviana. Meus chocalhos são todos de pano e me faço ver pelos engasgos que dou nessas pontas. É uma implosão muda o som que engulo, de novo, sem tossir. Me corrijo e volto. Tento caminhar como quem desvaleu, mas ainda tenho composição, por mais involuntária que seja, é. Certeza que é porque tem gente que viu. Viu ou eu mostrei sem querer, separei meus panos pra mostrar uma cicatriz qualquer. Foi impulso lúdico, um susto e. Emudeceu.


E tem o poste, que faz barulho mesmo, e acabou pra mim. Só pra mim. Porque não pára, nem para, na verdade. Mas eu gosto de me incluir nos limites racionados.
É barulho indiferente. Fica parado, não segue. Tanto, que parece quase erro, mas não é chiado, é zumbido. É quase zombaria. Ouve-se se quiser. Quando se pisca pra fora e o ambiente que se respira passa a ser mundo que se respira. Houve-se se quiser. Se não for ocupação demais encontrar o chaveiro certo onde se pendurou a chave, o maço onde se guardou o isqueiro, a frase feita a se gritar a faixa de pedestres.
Ouve-se caso a luz não ensurdeça antes. Holofote aquele que permeia correres em falso e corredores sem porta. Que joga a luz na tua cara quando alguém puxa a ponta mestra fazendo cair tudo. Lustra tua pele num amarelo queimado, bem dentre o momento de nudez crua, analítica, sendo tudo bem observado, uns olhos focados nas partes que você mais odeia do seu corpo: todo nu, vulgarmente despido, inteiramente descoberto, perfeitamente exposto, clinicamente pelado e infinitamente leviano.

E que faz barulho, faz. Sem metáforas. Mas que emundeça antes, ao menos.

Monday, April 23

personificação

Assim como essa tínhamos tardes. E só digo assim como essa porque tinha essa cor e o tempo marcava esse relógio nessa pose seguro, andando controlado.
Era cedo e era calmo, temperatura certa daquela que faz esquecer. Daquelas que crer não ter nada sobre a pele e, de verdade, nem a pele a gente sente ter. Nada e eu e aquelas blusas folgadas no corpo, desapegadas e não querer nada com nada, mesmo.
Quanto por ralar esperando nas pernas branquíssimas estendidas na poltrona da frente. Era um falar ruidoso e uma risada vazia, que na época eu nem sabia ser pura limpeza. Tudo bem seco, nenhum molhado no rosto, nem nas mãos. Pupilas limpas.
Pegava sua mão, tão clara também... não posso me esquecer como nos éramos tão branquinhas. E a sua mão, também era apenas fina. Inábil, você dizia, fria, dizia eu. E era de novo o riso pálido o que me devolvia, jogando os dedos displicentes pra qualquer lado, desaperturbados.
Não, o que não posso me esquecer é do riso. Posto que também era tão branco, mas é o som que me intriga. Um riso apressado que espalhou seus soluços há um tanto tempo atrás. Fui buscá-lo ontem. Cheguei a tempo de pegar o engasgo final, na mesma poltrona. Invadiu meu mingo e me deu todas aquelas imagens de um passado artesanal feito por tuas mãos. E elas nem se sujaram.
Mentira, minto outra vez. Vai ver é ignorância mesmo, vai ver ainda a insensatez. É tanto fingir que até rimei. Vou fazer de conta que foi sem querer. Primeiro porque foi mesmo. Mas também porque me deu inquietação de achar que me engano e acredito, agora.
Verdade desde que era simples, e nem era lá tanto. Era você e eu. E podia ser você e eu também, depende, dava pra ser. E não tínhamos termos específicos, nem a madrugada, nem vinho nem calmantes e os outros todos, nem o sexo, que suja tudo. Nem andar andava, que andavam pra mim. Sabíamos tudo e carregávamos no arrastar do sapatinho de boneca gigante. E nem era lá tanto.
Mas eu sonhava. Eu criando demais e ainda penso. Agora penso no que fazer depois de ter feito, mas o erro foi antes. Antes do riso calmo eu angustiava a curiosidade, eu queria e imaginava no caminhar os arranhões que ia me causar. Eu queria varias coisas e agora tem tudo. Depois da madrugada e o cansaço todo. As tardes ocupadas com o sobreviver ao dia anterior. Quem sabe o depois. Queria sua paz, mas queria mais. Eu consegui mais e eu te quero de volta, agora. Entendi.
Mas nem tem você mais, tem?


Thursday, April 19

agora

poesia vale quanto tá acontecendo na hora?

Tuesday, April 17

metalinguagem

Sabe esse sonho estranho que tive com você noite passada e nunca vou te contar? Só vou escrever aqui porque minhas aspirações mundanas me obrigam e, de alguma forma, meu ego não sabe escrever para si mesmo.
Sou uma exibicionista, e daquelas fáceis de satisfazer. Só escrevo aqui em forma, assim, para que a idéia se torne coisa a mostra para alguém fora de mim. Mas é sempre coisa contornada de palavras, de destino marcado a não ser.
Fui pragmática, talvez. Como já disse, vejo essa necessidade de impactar que me balança entre extrema sinceridade e extremas afirmações, das quais nem eu mesma sou completa adepta. É esperança, e só.
Quem sabe um dia eu pare. Questiono se houve uma vez. Eu questiono tudo e não tenho paciência de ouvir as respostas. Mas pergunto quando foi que meus esboços de mundo viraram mundo antes mesmo de passar pelo desenho.
Mas o sonho, esse não tem linhas.

Monday, April 16

observando vida

Você começa a se distanciar.
Olha para o espelho. Sou bonito. Não, não sou. Não é. É comum. Tem traços limpos e claros, da idade. Cabelos jovens, tudo mérito do tempo, nada seu. Começa a imaginar aquela figura saindo de casa pela manhã, uns óculos enormes postado na cara, uma xícara de café que impregna segurança naquele corpo incerto. Os cabelos, ainda jovens nessa manhã, frescos do banho apressado, dando uma sensação de possibilidades leves que será levada pelos primeiros carros a ensurdecerem o silêncio da rua. Mas ainda é uma manhã, e ao passo de que não se trancou para fora do portão, nada pode ser muito assustador.
Nada pode ser porque você está só olhando. De alguma abertura no espaço, numa metafísica superior, assiste sem se mover o trocar de pernas duro, tentando marcar o ritmo da música que pensa escutar para o próprio proveito. Ele, você vê. É tudo mídia. Você sabe, ele sabe, mas ainda assim anda marcando os próprios passos por ela, por questão de afirmar liberdade.
Olha para o relógio. Está adiantado, muito. Pensa, graças a qualquer coisa eu aqui, sentado, vendo. Esperar acontecer o tempo é uma agonia desnecessária.
E aí você se lembra do por que. Se lembra e continua a se afastar.
O tempo presente já não precisa ser seguido. A consciência é tomada, ou a aceitação, de forma educada, de que o tempo é um egoísmo que não se importa em ser diagnosticado. Não se importa se jovens ou adocicados, se é a manhã em que se fecha o portão ou a madrugada em que se abandona a porta aberta por puro tesão. Importa, exporta. O que quer que seja, é deixado. Vamos considerar num âmbito de vida inteira. Quem sabe melhor que quantas vezes se vira a chave na fechadura, seria melhor se assistir só as considerações finais. Quantos dias houve prazer nos dedos de quem abria a porta, ou quantos gozos vieram dos dias em que porta nenhuma foi vista até já tarde da noite. Ou quem sabe apenas, o que deu de errado.
Você imagina aquela criatura mediana, que agora deu o último gole no café, como uma foto num álbum de família que nem é a sua. Fica especulando o que foi feito de errado por aqueles olhos, aquela boca e aquele nariz, para que as coisas tenham sujado todas. Era uma bela boca. Vermelha, bem feita. Tudo mérito da vida, nada seu. Mas o que foi que você, ou talvez ela, que no começo era ele, quem sabe a boca, fez de tão indecente?
É uma forma simples de pensar. O erro, a conseqüência, fim. Uma figura que foi infeliz na vida. Nenhuma palavra a mais. Coitado, coitada.
Você pensa, terminou. Pode fechar o álbum e procurar algo de melhor para fazer. A história dos grandes passos duros e infelizes rua abaixo, acaba. Você está distante, sem incoerências emocionais, nada de envolvimentos. É sou uma personagem.
Você não quer fazer nada. Mas a merda é que a gente quer, sim. A merda toda mora no fato de que queremos ser felizes, encontrar a felicidade, encostar-se à boca do que quer que seja, e ser. A merda inteira é que a gente não pode evitar querer essas coisas, por mais que seja coerente.

Saturday, April 14

vida fácil

Meu corretor ortográfico não conhece a palavra tesão.

Friday, April 13

mas acontece que sou triste

A tristeza tem algo de belo, que a diferencia dos demais.
De cara aberta, olhos da mesma cor de tudo: cinza. Num tom sólido do ser. Superior, determinado, um nobre. É tristeza. A boca parece que cresce, se faz de base para o olhar desistente. A gente cai, e isso é bonito.
Gosto ainda mais da tristeza afrontada. Cabelos jogados presos todos para trás. Nada de esconder coisa alguma debaixo de fios, é de cara limpa que se enfrenta o encinzentar da face. Os olhos brilham. Molhados de uma lágrima intimidada, que se prende: é muita sobriedade.
De tanto usar as palavras a gente gasta por dentro. Colocando todo o calor nas frases em que tento cuspir o que eu quero, por favor, que entendam. E antes que eu mesmo comece a duvidar de mim e acreditar nos disparates que me devolvem, um frio inconsolável me treme. Treme menos porque mover dói, senão tremia bem mais.
Ainda assim, tem algo de belo. A gente se recolhe e se encolhe sozinho. E ainda assim fica grande. É quase alívio compulsivo. Ainda assim, quase. Quase.

capítulo 10

Eu tenho quebrado muitos copos.
Andando por um chão viciado de meus passos mancos sempre sinto uma picada na sola do pé, é real e recorrente. Encontro pelo caminho pedacinhos transparentes. Catatônicos pedaços do que quebrei e não tive coragem o suficiente para recolher. Talvez não coragem, apenas uma intenção mais forte, onde nem me arrisco a evocar vontade. Vontade é uma paixão que não existe apenas por cacos de vidro.
Estática, observado o espalhar de vários corpos que fiz escapar de minha mão. Não que seja proposital, mas minha idéia primeira é sempre despedaçar mais e mais. Até que os pedaços se tornem menores e menores e areia. E eu possa, então, destinar-me obsessivamente a recolhê-los todos, grão por grão, doentiamente acomodá-los, como indivíduos pessoais, numa caixa e devolver todos os quais todos juntos, ao exato chão à que pertenceram antes de se espalhar debaixo dos meus pés.
A falha é que nunca me importei com a procedência de meus vidros para ter agora a certeza de que realmente os coloco de volta no lugar certo. O lugar certo é o ponto crucial e talvez isso apenas me trouxesse a vontade. Mas realmente nunca me importei com a procedência de meus vidros.
Continuo como que fascinada na sujeira toda. Não na sensação de que aquela é a única questão a ser resolvida, mas apenas como uma fuga real, assumida. É fraqueza nos últimos, quase me prestando ao ridículo de chorar por uma morte qualquer que talvez eu escreva sobre e passe a chorar por, apenas pela necessidade de enaltecer uma tristeza melancólica sem nome que impregna, sem que morte de qualquer coisa que seja cause. Fuga da cólica da inércia. Sem mais explicações, caso contrário criaria outra fuga qualquer para dores inexistentes.
Um cigarro em meu bolso que me vejo acendendo e dando um longo trago. Ao passo que não sinto nada ardendo garganta abaixo percebo que minhas mãos tremeram o cigarro até que ele quebrasse. Foi embora. Nada concreto uma vez que empacotaram alguns deles todos juntos. Eu tenho algo mais em algum lugar, mas não vou acender agora porque gosto da falta. Fuga número dois.
Acho que tremi até quebrar, e um pedacinho do meu pé sangra. Não me lembro de ter me movido, mas isso é futilidade materialista e eu estava ocupada em não fazer nada quanto a isso. O que quer que seja isso.

Thursday, April 12

lá em casa

-tá tendo caso de escorpião...
-sério?.
-é. As pessoas largam entulho... lixo, sabe. Aí dá escorpião.
-nossa. E mata?
-não. Ah, às vezes, não sei. Depende do tamanho, da picada, de quantos. Mata, às vezes. Não sempre, lógico.
-mas dói? Dói bastante ou mata de uma vez?
-não, se mata, dói antes. Se não mata... também... eu acho, mas...
-e se não matar tem que tomar injeção?
-ah, sim, claro...
-então deixa.

Ficou assim. Eu na cozinha, ainda, minha mãe no corredor, e depois na sala, e o pacote de bolacha: comida porcaria pós jantar não-comido na mesa, na minha frente. Era chocolate.
Vi o pacote comido pela metade. O miolo comido, lógico, pela metade. Pensei em terminar o texto dizendo algo como: fiz as pazes com a mãe levando três bolachas de chocolate, lá na sala. Quem sabe um beijo, numa utopia maior. Não, nem pensei no beijo na hora das bolachas. Mas não deu. Nem me lembro o caminho a essas horas. Nem sala nem rosto.
Fiz as pazes com a mãe deixando as três ultimas bolachas encaminhadas no pacote, pra ela. Na cozinha. E foi o máximo que deu.

Wednesday, April 11

sobre água outra vez

você me fez uns 20 anos mais velha hoje.
me pedindo no silencio
força que não tinha
senti a aflição
da água escorrendo palma da mão afora
desidratando e murchando as maçãs do rosto
na pele solta, rugas
expressões na cara
coisa de você, estampada em mim
que me parece inútil agora,
tentar esconder,

Tuesday, April 10

tentei

venho em missão de paz.
largando apenas algumas coisas pelo caminho:
os óculos.
algumas peças de roupa
o caráter
a missão
e a paz. logo assim:
venho.

Sunday, April 8

redime-te

Metade do que eu gostaria de dizer, agora não pode ser mais dito. Pelo fato de ter espalhado um pouco minhas verdades agora o espaço delas está compromissado com as interpretações.
Não posso dizer se os acertos me assustam mais que os desentendimentos.
Mas eu sinto falta. Sinto falta da minha poesia que sumiu dos dedos. Sinto falta das minhas palavras desconexas que faziam todo o sentido para o estado de espírito que eu eventualmente ganhava.
Sinto saudades da minha coleção particular de coisas que só eu podia ver. Escrever. E fingir que o mundo aceitava como arte dadaísta.
O anonimato é ruim, mas não tanto quanto o quase-conhecimento.
O não se expressar talvez traga beleza a única coisa que eu gostaria de fazer. Mas agora nem sei mais me confundir com poucas palavras. Eloqüência. Palavra horrível que destrói. Tentei tanto buscar um pouco dela que, quando achei o porquê de sua existência, descobri porque tanto fugia.
Outra vez, sinto fala de mim. Quero-me de volta.

reluto

Trago.
Uma figura de mim num vestido sobre a cama largado desvestido
Sua camisa de botões falsos que arranquei todos tentando abotoar
Sapatos amarrados em hipocrisia de desamar ar
Cinzento.

Friday, April 6

realidade

Como se alguém estivesse realmente interessado em me ouvir falar, apenas pelo prazer de ouvir uma boa história. Sem envolvimentos, sem maiores contorções faciais, sem dor nem necessidades de saber para agir. Como se alguém estivesse realmente interessando em me ouvir falar, apenas para sair do egoísmo. Como se alguém quisesse apenas o som da minha voz.
- Como se sente? – uma voz de pés descalços e calça fresca largada nas canelas. Voz de chá de camomila gelado.
Por alguma razão sóbria penso em responder um tudo bem baixo e amigável. Daqueles verdadeiros: a voz baixa deixa clara a verdade que diz que sim, tudo bem em não me contar, eu posso, usando as palavras por mera convenção para manter a formalidade.
Mas a sobriedade engasgou. Umas lágrimas se juntaram ao suor do rosto. Aquela sensação desconfortável de umidade e de fiozinhos de cabelo colando na testa e piorando o aspecto grosseiro do rosto brilhoso. Aquela irritação com a dobra molhada da perna e aquela ardência causada nos poros da canela causada pelo suor salgado. O sol que queima a ponta de um nariz que odeia ficar vermelho. A sobriedade engasgou com o calor. Engasgou e cuspiu toda uma garrafa cheia, cheia de tonturas e desmaios.
- Como me sinto... Sinto como opressão. Como se todos os lados fossem formalmente proibidos. Como se estivesse atrasada para continuar a vida e todas as rodovias de acesso ao mundo certo estivessem cortadas. Ou como se todos os caminhos fossem estreitos demais, e eu tivesse que me espremer entre eles. Arranhando braços, rasgando a saia. Como se em dado momento fizesse um movimento brusco nesse aperto todo, só para conseguir respirar um nada que seja, e um graveto vindo de lugar nenhum arranhasse minha maçã do rosto, cortando toda minha feminilidade. Como se minha mente fosse fraca demais para me guiar para a saída, mesmo sabendo que isso já foi feito antes por gente pior que eu. E por gente melhor. É isso, me sinto no meio. Nem melhor, nem pior. Ordinária, meio largada por ai sem brilhantismos, sem a coisa certa a dizer a quem quer que seja, por alguém certo está sempre o ocupado procurando a saída. Quem sabe encontre, quem sabe se encontre apenas não tão certo quanto eu imaginava, e seja medíocre rodando por esse labirinto claustrofóbico. Assim, me sinto ao meio. Meio querendo sair, meio tentando encontrar os meus iguais perdidos na estrada bloqueada. É uma opressão de não saber nem querer fazer nada do que se tem a fazer, a não ser talvez algo que eu ainda não saiba.
Pausa para trocar o pé em que se senta encima.
- Vai ver, sendo assim tão naturalmente lugar-comum, nunca saberei. Mas acontece.

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meio cansada icontinente. self-service de mente. orkut