oscilando
-Não me ama mais?
Que coisa mais clichê. Não sei clichê pela frase melodramática em si, ou pela fala cheia de necessidade verbal de verdade linear, nada moderna. Modernidade do amor sintético. De minhas frases truncadas de interpretações abertas... Afinal, entenda o que quiser, eu não vou ficar, caio fora.
Mas não caia nada. Não caia porque você me segurava e as perguntas não esperavam minhas considerações sobre as tendências.
-Tá entortando meus óculos.
Foi minha resposta. Deixando claro que não respondia nada, a voz não saía enquanto eu me espremia por dentro esperando verter alguma lágrima. Chovia e minhas lentes ficavam granuladas. Via coisas fragmentadas e enxergava pior com os óculos do que sem. Pensando bem, sempre enxerguei muito bem sem eles. De qualquer forma, torcia para que uma gota caísse por dentro dele e eu poder chorar uma lágrima emprestada.
Não moveu um músculo. Nessa de impedir meu cair, seu segurar me impedia de responder por mímica. Minha cabeça negando era bloqueada por seus braços. Poderia ter desistido agora, se tivesse a intenção de fazê-lo em qualquer momento antes das mãos. Mas nem isso.
Acuso-te de querer parar o não à força. Querer ouvir minha voz entalada dizendo a coisa toda. Era ato pensado, violência premeditada, queria me obrigar a assistir na sua cara a reação aos meus disparates. Falados. Queria que eu ouvisse minha voz entalada dizendo a coisa toda.
Queria mesmo, me culpar por todas essas coisas que tenho por dentro, ou tinha, queria fazê-las entrar em minha cabeça e me convencer a soltá-las em forma de culpa aguada. Mas eu me espremia toda e nenhuma lágrima te contentava.
Eu queria apenas não.
Você queria todo o resto.
Eu deitava ao seu lado perguntando o livro que estava lendo.
Você me perguntava se podia abrir o zíper da minha calça.
Você queria toda a cena, e eu tentava tornar tudo menos ridículo, uma vez que você me abraçava sem meu querer e, todo desajeitado, entortava meus óculos.
É patético, eu sei disso, mas era mais ainda uma questão de espaço. Eu não cabia em você, e você ocupava uma salinha no fim do corredor de mim. E isso me deixa espaço o suficiente para pensar nos tédios todos e, enquanto você me beijou consentido, assim, pela última vez que prometo ir embora, eu pensei: que dia estúpido para se usar óculos.
Que coisa mais clichê. Não sei clichê pela frase melodramática em si, ou pela fala cheia de necessidade verbal de verdade linear, nada moderna. Modernidade do amor sintético. De minhas frases truncadas de interpretações abertas... Afinal, entenda o que quiser, eu não vou ficar, caio fora.
Mas não caia nada. Não caia porque você me segurava e as perguntas não esperavam minhas considerações sobre as tendências.
-Tá entortando meus óculos.
Foi minha resposta. Deixando claro que não respondia nada, a voz não saía enquanto eu me espremia por dentro esperando verter alguma lágrima. Chovia e minhas lentes ficavam granuladas. Via coisas fragmentadas e enxergava pior com os óculos do que sem. Pensando bem, sempre enxerguei muito bem sem eles. De qualquer forma, torcia para que uma gota caísse por dentro dele e eu poder chorar uma lágrima emprestada.
Não moveu um músculo. Nessa de impedir meu cair, seu segurar me impedia de responder por mímica. Minha cabeça negando era bloqueada por seus braços. Poderia ter desistido agora, se tivesse a intenção de fazê-lo em qualquer momento antes das mãos. Mas nem isso.
Acuso-te de querer parar o não à força. Querer ouvir minha voz entalada dizendo a coisa toda. Era ato pensado, violência premeditada, queria me obrigar a assistir na sua cara a reação aos meus disparates. Falados. Queria que eu ouvisse minha voz entalada dizendo a coisa toda.
Queria mesmo, me culpar por todas essas coisas que tenho por dentro, ou tinha, queria fazê-las entrar em minha cabeça e me convencer a soltá-las em forma de culpa aguada. Mas eu me espremia toda e nenhuma lágrima te contentava.
Eu queria apenas não.
Você queria todo o resto.
Eu deitava ao seu lado perguntando o livro que estava lendo.
Você me perguntava se podia abrir o zíper da minha calça.
Você queria toda a cena, e eu tentava tornar tudo menos ridículo, uma vez que você me abraçava sem meu querer e, todo desajeitado, entortava meus óculos.
É patético, eu sei disso, mas era mais ainda uma questão de espaço. Eu não cabia em você, e você ocupava uma salinha no fim do corredor de mim. E isso me deixa espaço o suficiente para pensar nos tédios todos e, enquanto você me beijou consentido, assim, pela última vez que prometo ir embora, eu pensei: que dia estúpido para se usar óculos.

3 comments:
=]
amável e triste
é situação inventada? me conta! aí eu conto o significado do bambu e da pirata^^
não que seja grande coisa, mas é o que eu tenho -já que esqueci de escrever em outro lugar.
se não te amo mais?
não troque os pés pelas mãos, Alice...
não quero verter nehuma lágrima contida dentro do seu espírito espinhoso e espremido,
prometo que serei leve =]
=0*** + [..]s
te segurar forte o suficiente pra naum cair
frouxo o suficiente pra deixar suas mãos mimicantes livres
basta sacudir as mãos..
eu entendo
prometo!
bjinhos
S2
mas o que � isso. que terror � esse.
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