Monday, March 5

fantasmas

Comprou uma cartola e uma bengala. Só de sacanagem mesmo, queria fazer uma graça. A vida andava meio séria ultimamente e a ideia de estagnação manchava de aflição um momento de paz.
Era uma cartola arredondada, sabe-se longe o nome daquilo. Deixou a classificação futilmente morrer na cabeça e se postou perante ao espelho.
Achou uma camisa. Era larga, mas confortável. Tirou o sutiã e se enfiou naturalmente dentro do linho, sem esconder suas marcas.
Tentou uma gravata, mas não sabia dar o nó direito e se sentiu meio ridícula com aquela bolota no colo.
De repente, um cansaço. Soltou a pose. Tirou o chapéu e a camisa e a calça e tudo. Jogou-os todos numa pilha coroada pela bengala e fez de si mesma uma outra pilha. Espremidinha na cama. Se dobrava inteira, sempre tomando o cuidado de observar o Tédio.
Sentado em meu sofá, um homem. De chapéu, bengala e cara, paralisados. É um tédio fantasmagórico. Muito, muito sólido.
Uma figura figurante.

Mas eu, não. Eu só assistia da porta, e não me prestei a nada.

1 comment:

Anonymous said...

bem não vc...
mta palavra junta!


mesmo assim
bom como sempre

S2

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meio cansada icontinente. self-service de mente. orkut