Thursday, November 30

hodeio

odeio essa hora do dia
vou me tirar dela
vou fechar as janelas
desmatar os relógios
não vou deixar ser
o que consegui na cabeça de estável
por essas duas da tarde tomado.

to tomando toddy
tentando o tédio
testando teto

tá fora da tomada
minha tv sem som
meu bonito quadro

aha, to fora da sua tomada.

Wednesday, November 29

você

já tá toda desculpada.

Tuesday, November 28

ripado

me assaltaram.
estupraram meu caderno.

Monday, November 27

me descobriram

aprontei de manhã, agora dá nisso.

-pai leva a chris em casa?
-pra dela, no caso, não pra minha.
ahn...
e pra onde a gente vai?

limpa

ria tava engraçadinha hoje. brincou de dissolver os remédios na privada. soltou um a um dos comprimidos e assistiu à capsula azul se dissolver, tentando vagamente se livrar de pensar em como seria aliviante se espalhar assim... até sumir. mas deixa. o azul foi se espalhando água de privada adentro... estabilizando o humor sanitário.
tava uma gracinha hoje, subindo e descendo por dentro, cheia de visitas.

és que sou

odeio ver pessoas, principalmente quando não estão lá.
odeio muito quando as ouço falar de coisas, as quais eu escrevo e pergunto o que:
só sabem me dizer que sou boa pra inventar.
é isso, odeio não serem meus
meus pensamentos.
não sou dona do que penso quando isso sai da boca de um homem´
que só eu vejo em meu sofá.
preciso de um contorle pra desligar isso.
remoto, não remédio.
já disse mais ninguém me ouve, por mais que mas...
e fico pensando, se é que sou eu mesma:
será que quando eu grito só acordo esses caricatos
da bagunça da minha cabeça?

casa

chove. chove mesmo
que eu tô chorando e não é pra ninguém ver
pra ver ninguém, não vou sair.
chove mesmo. chove.

Sunday, November 26

e tranca forte

mete a boca em mim. me mete. na imprensa me prensa, então despensa, não pensa e me estoca. me entoca você e eu, trancadas na dispensa. desvaira pra toca. eu vou sem vaia. tu vai?.

infame

como o tempo voa...
nessa degolagem, meu relógio projétil se estilhaçou nas paredes
projeto de casa mal acabado
gaguegem
sem garagem
selvagem
seu... vá.

Thursday, November 23

TP

atropelada. atras.pelo.pelada


não, atropelada.

Wednesday, November 15

azul e branco

vou tentar ser fácil, pra ser eu mesma e não me perder em coisas induzidas.

as coisas começam a ficar estranhas quando me sinto estranho, olho no rélógio e é hora da próxima dose. aí eu estranho.

já chega, declaro estado de sítio: daqui, nada entra e nada sai. assim fica fácil ser eu mesma e não me perder em coisas.

estranho essas palavras, muitas coisas repetidas. doses de mesmice, e eu nem me sinto eu mesmo engolindo isso.

Sunday, November 12

caralho, dor.

traição corta em quem vê verdade em amores livres.

pomba

domingo é um dia tão acabado.
preciso de mediocridade hoje.

certeza que alguém mijou aqui, onde eu to sentada agora.
mas é só composto nitrogenado, tá tudo certo.
mediocridade de coisa vontando pra terra.

domingo é um dia tão acabado.
porque não acaba

Saturday, November 11

remorso


eu tenho um eu lírico
que tem espasmo de raiva comigo
quando insisto em rimá-lo com pinico.

segunda-feira de calçados

sem uniforme de novo, tainã.
é que precisava de uma gola alta pra ninguém me encostar. gola alta sem logotipo de tipo.
sem uniforme de novo, tainã.
fiquei na defensiva demais desde que decidiram me torturar com essa de andar na reta. é que é muito dura e me lasca o emocional.

que pergunta clichê.
o mundo não anda na sua moda, tainã.
vou ter futuro, to vendo ele por aí. ele tá tentando chegar lá antes de mim, pra eu poder ver ele na frente. mas por enquanto, ele tá só por aí, para de empurrar aí atrás. fico tonteando por pernas tortas com esses caminhos maria-mole. vai maria, engole.

planos?
vou dar na curva. me curva que eu dou cambalhota. bolota.
dá licença agora, que vou andar firme. e vou andar por onde eu acabar andando mesmo. Calçada da fama me aguarde, vou mandar um monte pra você: pés em falso. to descalça.
eu vou de verdade agora, arrastando os dedos. me ignora.

Jostein Gaarder me emprestou

você percebe que quando fala ninguém para no te ouvir? se quando você dorme ninguém te espera acordar e quando acorda não tem suco de laranja em taça de cristal fresco? é porque chama mundo real.
menina sem laranjas
menina das laranjas podres: nem tem segredos pra eu decifrar, não te escrevo romances: só linhas cotidianas. É assim que te vejo: uma lista de supermercado atrevida.

Thursday, November 9

in utero

encontraram exílio incrível, menos pra mim
que desespero de mim
me apaixonei por um sonho de mim
sai de mim sai de mim
sai de dentro de mim
que eu quero entrar em você de mim
vou te botar pra fora de mim
e você vai ter que gritar pra dentro de mim.

pra te fazer ser o fora de mim
vou me virar do avesso pelo umbigo
diz agora, em útero-eco: te quero, me dê!

medemedemedemedemede

Wednesday, November 8

frios

o mundo tende ao tédio.
corto meu cabelo e antes de conseguir recolher todos os fios soltos do chão do banheiro, ele cresce.
meu cabelo longo...
meu banheiro limpo...
entende?

aber

se dá tanto pra mim
se não sinto quando você me toca
não sei o que quero fazer agora
não sinto quando me toca
me enconlho porque me tocam
no indefinido, nem sei dar explicação
mas não me importo se dolore
é uma toda rigidez apertada
nesa de não perder tempo.
mas me distraio um segundo e estou almofadada chorando...
que angústia essa saudade de você
me abraça de novo pra ver se eu deixo de
deixar de te deixar me afetar
to bebendo água salgada pra matar a sede
só pode ser lágrima
sedenta de um pouco de futilidade
me concede seu mundo aguado
me faz ceder de toda essa densidade
rasga minha seda
que ela não serve nem mais enxugar as lágrimas
que escorrem desobedientes pra boca, eu bebo
babe, rasga minha seda
que eu to por baixo
e não te sinto. absinto.

Tuesday, November 7

rolando uma química

nada me faz delirar mais
que meus anti-térmicos.

entorpecentes em comprimidos revestidos
faz ficar mais fácil engolir
essa química toda.

Monday, November 6

vou falar de novo:

nunca te pedi amor eterno.
nem contrato nenhum.
nunca cobrei palavras feitos romanticos socialidades
parcialidades comunhão total de bens.
sempre quis a verdade.
vai, eu aguento
vamos brincar de me ferir com a verdade
que suas histórias de fidelidade me enchem de tédio.

Saturday, November 4

cai fora.

brevemente:
pra mim, chega.
se eu descobrir mais alguma coisa, morro é de tristeza.

vou viver à breve mente, agora.
e que nada pare aqui por muito tempo.

My photo
meio cansada icontinente. self-service de mente. orkut